quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Campanha de Larissa pode ter custado mais de R$ 5 milhões

Campanha rica de Larissa trouxe até o craque Romário. No detalhe, a trás, a câmera enorme da produtora contratada para fazer o programa de televisão

A deputada estadual Larissa Rosado (PSB) prestou contas ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) sobre os seus gastos de campanha com números que em nada correspondem com a realidade que se viu nas ruas. Ora, caro leitor, Larissa declarar que gastou R$ 1,4 milhão é no mínimo um contrassenso. Vamos colocar aqui alguns pontos para que o leitor tenha ideia do quanto a prestação de contas precisa ser melhor esclarecida como forma de não parecer um jogo de faz de contas.

Sem trocadilhos, vamos lá: 1) Uma produtora de vídeo não sai por menos de R$ 500 mil. Quem acompanhou o trabalho feito pela equipe da candidata Larissa Rosado (PSB) viu que foram utilizados recursos de alto nível, como cromaqui, produção de videoclipes de músicos contratados e muita gravação de rua, com direito a grua — plataforma suspensa aonde fica o cinegrafista  ou somente a câmera — e tudo mais. Como homem de mídia e ex-dono de produtora, sei que um trabalho desses não custa menos do que R$ 800 mil. Em grandes centros, poderia custar até dez vezes mais do que isso.


Mais
2) Todo mundo viu que a candidata Larissa Rosado contratou o marqueteiro Phabiano Santos bem antes da campanha começar. Evidentemente, começou a pagar  pelos seus serviços a partir daquele momento. Ora, caro leitor, Phabiano estava há mais de 16 anos com o grupo da governadora Roisalba Ciarlini/prefeita Fafá Rosado. Como profissional gabaritado que é, alguém acredita que ele foi de graça? Evidentemente que não. Custou, por baixo, cerca de R$ 300 mil, afora a estrutura para o seu trabalho que envolve desde equipes de alto escalão até os carregadores de bandeiras.

Outros
Só aí já chegamos bem perto dos gastos declarados pela deputada/candidata. Lá se vão R$ 1,1 milhão. Mas não fica só nisso. Continuemos: 3) A estrutura de mídia montada pela candidata foi algo estrondoso. Ela tinha pelo menos 20 jornalistas contrados direta ou indiretamente para produzir material, divulgar nos veículos de comunicação e/ou fazer o meio de campo com os “indiretos”, ou seja, assessores contratados ou infiltrados dentro dos jornais, rádios e blogs para divulgar o que a interessava. Essa turma recebe, no mínimo R$ 5 mil por campanha. É bem verdade que nem todos recebem, porque existem aqueles que apenas investem no futuro. Mas, se a metade tiver recebido lá se vão R$ 50 mil. Para os indiretos no mínimo a mesma quantia. Afora os espaços em jornais para divulgação de pesquisas de seu interesse. Isso sem falar na estrutura de agências de publicidade — uma em Natal e outra em Mossoró —, a criação da identidade visual da campanha, dentre  outros investimentos. Uma agência dessas não entra num projeto de envergadura por menos de R$ 500 mil.

Estrutura
4) A estrutura de campanha de Larissa foi ostensiva e ostentosa. Só de carros adesivados estima-se que haviam pelo menos mil em Mossoró com as cores do PSB. Para se adesivar um carro gasta-se cerca de R$ 350, dependendo do material utilizado e das suas dimensões. Como o material de Larissa era de alta qualidade, só aí lá se vão, por baixo, R$ 350 mil. Só de carros de som eram 100 rodando na cidade, entre os de maior portes, as baratinhas e algumas motos. Os maiores a cerca de R$ 10 mil por campanha, os menores por até R$ 3 mil durante os três meses. Por baixo, foi um gasto de cerca de R$ 300 mil só com esse tipo de propaganda. Isso sem falar em banneres e outros tipo de divulgação, que estavam sempre em maior quantidade do que as da adversária principal, Cláudia Regina (DEM).

Larissa tinha mais material de campanha do que Cláudia Regina nas ruas de Mossoró


Outros
5) Tem ainda, caro leitor, os gastos com a estrutura da campanha em si, como as carreatas, em que gasolina era distribuída legalmente — conforme entendimento do Tribunal Superior Eleitoral —, os próprios veículos da campanha, dos dos seus coordenadores, além dos prédios alugados, como o da Praça Rodolfo Fernandes, que se estima ter custado R$ 15 mil apenas os últimos dias de campanha.

Jurídico
6) Não nos esqueçamos da assessoria jurídica que trouxe para o embate alguns dos mais bem pagos advogados de Mossoró. O brilhante advogado Marcos Araújo e os seus não menos colegas de escritório não fazem uma campanha por menos de R$ 500 mil, lembrando que o trabalho perdura por outros meses com prestação de contas, entrada de recursos, dentre outras atividades que exigem o trabalho dos advogados. Além de Marcos, é bom lembrar, a coligação contou com outros escritórios que, juntos, estima-se que tenham custado pelo menos a mesma quantia. É claro que assim como nas assessorias de comunicação também nas jurídicas possa ter alguém que tenha trabalhado de graça. Inclusive o grande Marcão. Como isso não está explícito nas contas de Larissa, então vamos entender que ela pagou pelo trabalho dos advogados.

Megaestrutura de campanha de Larissa deu as caras logo na convenção de lançamento do seu nbome


Riqueza
Dá para ver que,  por baixo, a campanha de Larissa pode ter custado mais de R$ 5 milhões, levando-se em conta que todos os números que citei aqui são apenas estimativas e estão todos eles em cima de valores de mercado para os serviços mais simples. Quem acompanhou a trajetória de Larissa em 2012 sabe que de pobre a campanha dela não teve nada. Tinha estrutura, material e muita gente trabalhando para tentar elegê-la prefeita. Mas, é claro, a candidata pode dizer que todo mundo trabalhou de graça e que todos foram tão generosos que seriam capazes de declarar isso na Justiça.


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