quinta-feira, 1 de março de 2012

O piso dos professores e a falácia dos prefeitos

Brasília estava cheia de prefeitos, anteontem, reclamando do aumento do piso dos professores, que chegou a R$ 1.421 este ano. A choradeira era a de que não dava para pagar esse valor. Os alcaides chegaram a pedir que a própria lei fosse modificada estabelecendo o reajuste a partir do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que apura a inflação brasileira, e não pela própria legislação vigente. Ora, caro leitor, o que os prefeitos e governadores deste país deveriam fazer era tomar vergonha na cara.

De onde já se viu que uma miséria como R$ 1,4 mil vai quebrar prefeitura alguma? Só quebrará aquelas que são mal administradas ou transformadas em trampolim para enriquecimento ilícito. Ou mesmo as que nunca deveriam ter sequer existido. Não me conformo com o RN, um estado pobre como o nosso, ter 167 prefeituras. Só serve para estimular a corrupção.


Mentalidade
A lei do piso nos ajuda a entender que tudo neste país passa pela mentalidade de que os governos e prefeituras são coitadinhos e os servidores são os monstros. Conversa fiada. Professor deve ganhar o suficiente para as suas necessidades básicas. Ele é o principal transmissor de conhecimento, é quem evita que o nosso povo seja ainda mais alienado do que já é. Precisa ser valorizado acima de qualquer coisa.

Absurdo
Como suportar o discurso de prefeitos de que não podem pagar um piso mixuruca desses se temos casos e mais casos de contratações irregulardes, sem concurso público, inúmeras denúncias de corrupção e uma série de desmandos praticados? Neste país se tem dinheiro para pagar jogador de futebol para jogar num time da cidade, mas não se tem dinheiro para pagar bem um professor. Joga-se milhões na lata do lixo patrocinando festas sem futuro — com exceção de algumas que são boas para a economia da cidade —, mas não se pode acrescentar no salário de uma das categorias mais importantes do serviço público. Ora, vão se catar.

Razoabilidade
É claro que não se deve manter o Estado apenas para pagar os salários dos servidoers. Isso é fato e quem tem um  mínimo de razoabilidade entende isso perfeitamente. Po-rém, como é que se pode falar em não pagar o piso, se vemos quase que diariamente o dinheiro público ser jogado no ralo do desperdício? Todos deveríamos refletir sobre isso.


1 comentários:

  1. É por isso mesmo que não se valoriza o professor. Esses governantes se unem para derrubar o piso, mas não se unem para acabar com a fome, a corrupção, o desemprego, a violência...

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Pedro Carlos