segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Pensando em lançar meu primeiro livro

Neste ano de 2012 estou chegando a 20 anos de jornalismo. Do primeiro dia em que botei os pés em uma redação de jornal —  primeiro de julho de 1992 — até hoje, já experimentei todas as mídias: jornal, rádio, televisão, internet, revista, assessoria de imprensa pública e privada. Já fiz tanta coisa nesta área que outro dia tive um estalo: devo escrever um livro. Contar as minhas memórias talvez seja algo manjado demais, afinal de contas boa parte da minha vida foi acompanhada por quem me lê, vê, ouve ou acessa. Um amigo me deu a sugestão: por que você não conta aquilo que não foi publicado, os assuntos de bastidores, o dia-a-dia de cada jornal, os assuntos mais importantes, as grandes coberturas, vistas do outro lado do balcão? A ideia mexeu comigo. Sou bom de memória e acho que poderia escrever algo interessante.


Fatos
Antes de tudo, tenho de dizer que um livro não será suficiente para contar os bastidores de tudo que vivi. Até porque, caro leitor, vi e convivi com várias fases importantes. Desde a diagramação feita com tesoura e cola até a chegada da Internet nas redações. Orgulhosamente, criei a primeira página de jornal com conteúdo completo na Internet. Junto com a minha equipe comandei também o processo de encadernação dos jornais daqui — antes eles não tinham cadernos, iam para o leitor num “bolo” só. Criei cadernos de cultura, que até então não existiam, valorizei muitas pratas da casa que até hoje estão aí brilhando na nossa imprensa.

Mais
Também vi nos bastidores muitas campanhas políticas. Com exceção da de 1992, quando ainda era digitador, todas as demais acompanhei de perto. Sei como foram criados slogans, quem deu a maioria das ideias, o papel de quem trabalha na surdina e, claro, muita coisa que ainda precisa ser contada. Um exemplo: a ideia do slogan da campanha de Dix-huit Rosado em 1996 nasceu na Redação do jornal O Mossoroense. Vi quando o diagramador Paulo César Rodrigues chamou o então editor da época, Gilberto de Sousa, e deu a ideia do “marque o seu amor por Mossoró”. Foi genial.

Polêmicas
Vi muitas polêmicas também. Para quem não sabe, eu tinha 19 anos (era o editor mais jovem do Brasil na época), quando Canindé Queiroz surtou e mandou o bispo, as freiras, padres e outras autoridades da Igreja Católica para aquele lugar. O que aconteceu naquele dia? E a repercussão dias depois? Tudo isso talvez seja interessante de se contar, quem sabe, em um livro.

Erros
É claro que em 20 anos não tinha uma carreira só de acertos. Errei muito e assumo todos os erros que cometi. Os bastidores de alguns deles talvez devam ser registrados para as futuras gerações não cometerem as mesmas bobagens. Também fui injustiçado e acusado de coisas que nunca fiz; fui muito perseguido e perdi amigos porque, inocente, comprei as brigas que não me pertenciam. Paciência!

Ideia
Confesso que ainda não me decidi sobre o livro. Algumas das memórias talvez devam ir comigo para o cemitério ou, no máximo, ficarem restritas às pessoas mais íntimas. Não sei ainda o que fazer, mas uma certeza eu tenho: com um livro contando só os bastidores do que vi e vivi nesses 20 anos conseguirei repor algumas verdades, desmascarar alguns santos do pau-oco e até mesmo fazer alguns mea-culpas. Aguardemos, pois.


Nenhum comentário: