sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Ele só tinha 29

O jornalista Esaú Andrade morreu.  Difícil de aceitar que alguém tão jovem tenha sucumbido diante de um acidente terrível causado por quem não tem o menor respeito pela vida das pessoas. Quem deixa animais pastando à beira de estradas é mais do que uma besta quadrada — sem trocadilhos —, mas principalmente é um assassino em potencial. Não há desculpa para isso, caro leitor. Nem a conversa mole de que não tem como dar de comer aos animais. Quadrúpedes têm de estar em currais ou dentro de cercados. Nunca pastando em acostamentos ou passeando em pistas de rolamento. Parece que quanto mais carros temos, mais animais surgem nas pistas. Um absurdo que as autoridades parecem não ter condições de enfrentar. Ou são tão irresponsáveis quanto. A vida de Esaú foi jogada fora por causa disso e junto com ele foi o árbitro Clístenes Juny, outro jovem.


Soco
Para mim, a morte de Esaú foi como um soco no estômago. Primeiro, porque eu mesmo já fui vítima de animais na pista. Tive sorte de escapar ileso, apenas com prejuízos materiais que com trabalho e paciência estou pagando. A aflição da minha família foi enorme e não aconteceu o pior. Imagino agora o quanto deve estar sofrendo a família do grande Esaú, que era muito querido e um sujeito que fez muitas amizades no meio da imprensa, aonde trabalhou em vários veículos.

História
A minha história com ele começou em 2002, quando foi fazer um estágio na Gazeta do Oeste, a convite do então editor da época, jornalista Gutemberg Moura. Berguinho o convidou para trabalhar na área de esportes. Ele se destacou com uma cobertura fora do convencional, prestigiando o futebol, mas também abrindo espaço aos outros esportes. Ficou muito conhecido em todos eles.

Registro
Tive o prazer de naquele ano liderar um grupo de jornalistas que fizeram requerimento do registro profissional junto à Delegacia Regional do Trabalho (DRT). Dentre os colegas, estava Esaú, que se empolgou tanto com a ideia que foi até comigo levar a documentação. Ficou muito feliz quando recebeu de volta a carteira de trabalho com o devido reconhecimento.

Tristeza
Hoje, vejo que a sua alegria ficará apenas na memória. Sua vida foi ceifada por uma estrada que já fez dezenas de vítimas e continuará fazendo porque infelizmente ninguém tem a menor ideia de quando um dia não teremos mais animais na pista. Pior ainda, ninguém sabe se um dia algum dono desses animais será responsabilizado. Neste país, infelizmente, cadeia só serve para preto, pobre e puta. Nunca para quem tem posses e deixa sua propriedade por aí, zanzando à beira das pistas de rolamento.

Despedida
Daqui, vai a minha despedida a Esaú, que deixou mais triste esse Carnaval. Nós, jornalistas, bem como os transeuntes que precisam trafegar pelas estradas deste Rio Grande do Norte velho de guerra sem dúvida não apenas desejamos que ele descanse em paz, mas que também conforte a sua família tão triste com uma perda de um jovem de apenas 29 anos.


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