sábado, 24 de dezembro de 2011

Mossoró anuncia que não vai mais bancar a saúde dos municípios da região


O Gerente Executivo da Saúde Benjamin Bento, anunciou oficialmente nesta quinta-feira (22/11) que a partir de janeiro de 2012, só pagará os chamados Plus (gratificações de 100% em cima da tabela SUS) por procedimentos realizados em pacientes de Mossoró e município pactuados. O comunicado foi feito a tarde através de uma entrevista coletiva concedida à imprensa na sede da Gerência e em seguida, através de reunião na II Ursap com prefeitos dos 14 Municípios que Mossoró é pólo.

De acordo com Benjamin, a medida é uma forma de evitar que o financiamento da saúde em Mossoró entre em colapso. “Por três anos estamos pagando esse Plus pelos atendimentos de pacientes de cerca de 60 Municípios. Nosso prejuízo chega a R$ 7 milhões por ano, dinheiro que poderia está sendo usado na melhoria da rede municipal”, comentou o gerente de saúde.

O problema é mais grave na obstetrícia. Só para se ter uma ideia, de janeiro a outubro desse ano, Mossoró realizou pagamento de Plus por 4.730 partos, quando na verdade, 1.969 partos foram de pacientes de outras cidades.

“Uma cidade como Baraúna pactuou conosco 48 partos de alto risco por ano, quando na verdade esse município envia cerca de 40 mulheres por mês para parir em Mossoró e o nós pagamos a conta”, exemplificou Benjamin esclarecendo que o Município não deixará de prestar assistência materna na cidade.

“Mesmo sem ter maternidade, Mossoró garante e garantirá assistência materna. O que não vamos mais fazer é pagar a conta dos outros Municípios porque já fizemos isso por três anos e não temos mais condições de levar á frente essa situação. Também é incorreta a informação de que Mossoró deixará de pagar os Plus porque vamos continuar pagando pelos procedimentos dos nossos pacientes”, reforçou Benjamin.

Uma das saídas para resolver o problema seria uma contrapartida por parte do Governo do Estado. “Natal também paga a complementação dos médicos,só que o Estado assume 60% dessa conta.O Município entra apenas com 40%. Já fizemos esse pedido ao Estado, mas até o momento não recebemos retorno”, destacou Benjamin Bento.

Além das gratificações, a Gerência Executiva da Saúde paga uma tabela diferenciada aos anestesiologistas, além de plantões. Só no mês de abril, o Município repassou para essa categoria mais de R$ 140 mil em incentivos, o que dá mais de R$ 13 mil para cada um dos 11 profissionais que atuam na cidade. “Faço questão de trabalhar com transparência para que a população saiba que o Município está fazendo para garantir a assistência da população. Não é justo dizer que a Prefeita não investe ou que estamos querendo deixar de pagar os profissionais”, falou Benjamin.

Além da obstetrícia, a Gerência da Saúde paga Plus para atendimento oncológico e também pelos leitos de UTIs no Hospital Wilson Rosado.

O PROBLEMA EM NÚMEROS 
 • 4.730 partos foram realizados em Mossoró de janeiro a outubro de 2011
• Desse total, 1.969 foram partos de pacientes de outras cidades
• R$ 329,00 é o valor que o município paga aos anestesistas por procedimento
• R$ 545,73 é o valor que o MS paga por cada parto cesariano
• Mossoró ainda paga R$ 1.024,78 por cada parto cesariano
• No caso de parto de alto risco cesariano, esse valor passa para R$ 1.450,09
• Por cada parto normal, o Município paga R$ 948,20
• Para partos normais de alto risco, esse valor sobre para R$ 1.189,34
• Somente em 2011 foram pagos mais de R$ 5 milhões somente em Plus na Apamim,Centro de Oncologia e Wilson Rosado (UTIs)


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