sábado, 31 de dezembro de 2011

Feliz Ano-velho para todas as pessoas de bem

Se a gente pensar bem esse negócio de “Feliz Ano-novo” não faz o menor sentido. Ora, caro leitor, Kant já nos ensinou que nascemos com uma espécie de filosofia que trazemos no nosso âmago. Algo como se todos tivéssemos um DNA do espírito. E é esse DNA que nos seguirá a vida inteira e sobre ele acrescentaremos todas as nossas experiências, felicidades, frustrações e tudo o mais que formos vivendo. Sendo assim, a meu ver só faz sentido desejar Feliz Ano-Novo a dois tipos de pessoas: a quem está completamente desenganado, seja por infelicidades permanentes ou por nunca ter conseguido ser feliz, ou para um recém-nascido, que ainda terá toda a sua vida pela frente. A quem já conhece o mundo, quem tem saúde e um mínimo de paz na vida, o legal mesmo é desejar Feliz Ano-velho. Porque é exatamente isso que eu, por exemplo, quero desejar...

Revivendo
Ao invés de começar tudo do zero, de pensar em ser uma nova pessoa, desejo que você seja a mesma pessoa que foi em 2006 ou 2007 ou quem sabe antes disso. Quero que no campo pessoal você seja feliz tanto quanto foi neste ano ou no ano passado ou há algumas décadas. Desejo que você tenha a mesma felicidade financeira que alcançou quando comprou sua casa nova, mesmo que isso faça 30 ou 40 anos. Quero que se repitam em 2012 todos os grandes momentos que você viveu.

Esperança
Se a gente pensar direitinho vai entender que na verdade todos nós vivemos de esperan-ça, quando na verdade deveríamos viver de experiências. Senão, vejamos: ano que vem eu tenho esperança de que vou comprar um carro de luxo e andar com mais segurança pelas estradas esburacadas deste nosso Rio Grande do Norte velho de guerra. Certo, mas como eu vou fazer isso se não parar e me lembrar da experiência das compras pretéritas, quando eu joguei um monte de dinheiro fora cometendo os mesmos erros de antes? O que é melhor? Ter esperança de que caia do céu ou agir com a cabeça e usar a experiência a seu favor? 

Deus 
Não se trata de jogar fora o desejo de que Deus guie as nossas vidas, caro leitor. É exa-tamente o contrário. Defendo tudo isso que escrevi acima porque foi o que ele nos ensinou. Sob o céu, todos podemos alcançar graças advindas do nosso Senhor Supremo. Porém, se não fizermos a nossa parte, será que a graça será alcançada? Os nossos padres, pastores e/ou quaisquer outros líderes religiosos nos pedem orações o tempo inteiro por pura perda de tempo ou seríamos nós fazendo a nossa parte, difundindo o bem e o desejo de que as coisas deem certo para nós, a nossa família ou mesmo ao próximo?

Velho
Hoje é o último dia do 19o ano da minha carreira de jornalista. A partir de amanhã começa a contagem regressiva para as duas primeiras décadas. E eu não quero um Feliz Ano-novo, na verdade eu prefiro mesmo é uma Feliz década velha ou felizes duas décadas velhas. Porque o velho também é bom, meu povo. Já pensaram o que seria de nós sem nossos pais, tios, avós, bisavós. Como eles são importantes e nos ensinam tanto?

Felicidade
Eu até entendo que as pessoas querem alcançar a felicidade e por isso se agarram em sentimentos de renovação. Isso é salutar. Mas não precisa esquecer daquilo que se viveu. Todos temos uma história de vida que vai nos perseguir até o fim de nossos dias. Cabe a cada um de nós aprendermos com os erros para tentar não os cometer novamente. Os acertos devemos tentar aglutiná-los.

Feliz
Portanto, caro leitor, tenha um Feliz Ano-velho. Ou, se preferir, tenha um Feliz Ano-com-a-Mesma-Felicidade-dos-Velhos. Ah, e antes que eu esqueça: este desejo não é direcionado a todos vocês. Ele vai apenas para as pessoas de bem, porque as que não conseguem ter Deus no coração, prefiro que tenham um Ano-novo e tentem apagar de suas vidas todo o mal que fizeram ou fazem às outras pessoas. Kant acha impossível, porém ainda existem os milagres.


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