sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Aliança PV/DEM está por um fio. Saiba tudo sobre os bastidores do apoio de Micarla a Dilma

Quando a prefeita de Natal, Micarla de Sousa (PV), anunciou o seu apoio à candidatura de Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República, todo mundo esperava uma reação do Democratas, seu principal aliado em nível estadual. Tudo muito natural, afinal de contas o senador José Agripino (DEM) nunca estaria no mesmo palanque do PT. Ele sem os seus motivos, assim como o próprio PT tem os motivos dele de querer ver Agripino pelas costas, embora tenha de aturá-lo por mais oito anos. A aliança com José Serra (PSDB), no entanto, não saiu por culpa exclusiva do próprio senador. A coluna vai publicar os bastidores da tal articulação envolvendo Micarla, Agripino e Serra e você, caro leitor, pode tirar suas próprias conclusões. Tudo começou quando Micarla procurou Agripino para que marcasse uma reunião com Serra. Ela tinha interesse de ouvir as propostas do candidato tucano, para saber dele os compromissos com Natal. Mas não foi exatamente isso que aconteceu.

Avião
Serra ligou para Micarla e perguntou se ela poderia conversar em São Paulo. A prefeita se disponibilizou para fazê-lo e na tarde seguinte partiu junto com o senador José Agripino (DEM). Chegaram em Congonhas e foram recebidos por um Serra frio e apressado. O candidato olhou para a prefeita e apertou a sua mão, agradecendo pelo apoio. Isso não durou dois minutos.

Volta
Micarla voltou para Natal no mesmo jatinho fretado, ao lado de Agripino, com quem registrou a queixa de sequer terem conversado direito. Não houve qualquer compromisso, apenas um “muito obrigado”, como se tudo já estivesse acertado previamente.

Depois
Após a “reunião” com Serra, Micarla recebeu um telefonema do ex-ministro da Fazenda e um dos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff (PT), Antônio Palocci (PT), para pedir o seu voto a Dilma. Uma conversa foi marcada em São Paulo e os dois se encontraram. O PT não apenas garantiu apoio político da candidata, caso ela fosse eleita, como também apoio financeiro do Governo Federal.

Claro
Foi tudo assim, claro e objetivo: a administração do PV passaria a ter tratamento especial e também teria articulado o apoio político, caso Micarla desejasse. A prefeita disse que seria importante contar com o apoio político nacional, mas que em nível local isso dependeria de muitos fatores. A sua escolha por Dilma foi motivada pela possibilidade de receber o apoio maciço da União.

Concluindo
A situação foi essa: Micarla recebeu um muito obrigado e dois minutos de conversa de Serra. Da presidenciável Dilma Rousseff recebeu a promessa de apoio político e financeiro (ou institucional, como queiram) para a sua administração, que enfrenta problemas na capital. Trocando em miúdos, Serra chegou com tapinha nas costas, Dilma com proposta e apoio. Com quem você ficaria, caro leitor?

Perda
Se o senador José Agripino se afastar da prefeita Micarla de Sousa, quem vai sair perdendo? O fato é que a vitória de Micarla em 2008 foi um trampolim para a vitória de Agripino em 2010. Alguém apostava na reeleição de José Agripino antes do resultado em Natal, em que o senador e Micarla, praticamente sozinhos, venceram toda a máquina federal? Nessa balança, acho que Agripino perde mais.

Cenário
Mas ninguém pode esquecer que o cenário político potiguar é outro totalmente diferente agora em 2010. Micarla se aproximando de Dilma obviamente se aproxima do PMDB e do PT, mas ficará longe de Rosalba, a quem apoiou ostensivamente – a vitória de Rosalba deve ser creditada em parte à prefeita, na capital.

Passos
Se a coluna tivesse de apostar, diria que o DEM não tem o que reclamar da prefeita Micarla de Sousa, que abriu parte do secretariado para indicados pelo senador José Agripino, e que portanto não há motivo para rompimento. O cenário nacional não foi tão decisivo na disputa do primeiro turno, por que tem de ser no segundo turno? Vejo que há muito beicinho nessa história e pouca gratidão. Aguardemos os próximos passos.

Micarla quer Agripino perto, mas não pode abrir mão do PT
Se você fosse prefeito – ou prefeita, como queira –, caro leitor, abriria mão do apoio financeiro do Governo Federal para a sua administração? Digamos que você abrisse mão desses recursos e pagasse um preço alto por isso e na eleição seguinte um dos seus aliados estivesse em um palanque onde escondesse o projeto político nacional e depois viesse cobrar de você que acompanhasse esse mesmo projeto em uma segunda etapa. Você teria coragem de fazer tudo isso? Pensaria em você e na população que votou no seu nome ou no aliado e as conveniências políticas dele? Boas perguntas para uma sexta-feira à tarde.

* Coluna Notas do Correio, publicada por este que vos escreve no CORREIO DA TARDE de hoje

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